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sábado, 27 de agosto de 2016

Fratura no Processo Transverso: a lesão que tirou o craque Neymar Jr. da Copa do Mundo de 2014.


Fratura no Processo Transverso: a lesão que tirou o 

craque Neymar Jr. da Copa do Mundo de 2014.

A fratura do processo transverso de vértebras lombares não é tão rara, mas muitas vezes é negligenciada. A lesão sofrida pelo jogador Neymar é comum quando se sofre um trauma violento na coluna lombar. Na verdade, das fraturas possíveis na vértebra, ela é a menos grave, e costuma se resolver sem sequelas após 4 a 8 semanas, contanto que seja tratada adequadamente. O problema é quando o paciente procura um médico e ele não desconfia dessa fratura, não solicita a Tomografia Computadorizada, e libera o paciente para voltar às atividades de casa, trabalho e esporte. Ou quando procura um fisioterapeuta que negligencia a possibilidade dessa fratura e realiza manobras bruscas na coluna lombar desse paciente. Em casos de histórico de trauma na coluna associados a dor persistente, existe a possibilidade de fratura. E mais um detalhe: a fratura do processo transverso de vértebra lombar é indicativo de que podem haver outras lesões associadas.

A fratura do Neymar não ocorreu pelo trauma direto, mas pela contração dos músculos da coluna. Diferente do que se possa pensar, não foi o impacto do joelho do jogador colombiano sobre a coluna do Neymar que ocasionou a fratura do processo transverso esquerdo de L3 (terceira vertebral lombar), mas sim a força de tração exercida pelos músculos, principalmente o Transverso do Abdome (TrA) e o Quadrado Lombar (QL). Antigamente se pensava que o músculo psoas tinha papel importante sobre essa lesão, mas foi visto que o local mais comum da fratura (a ponta do processo transverso) é incompatível com a linha de ação desse músculo. Os músculos TrA e o QL se inserem na fáscia toracolombar, a qual se insere nos processos transversos e ligamentos intertransversais. A linha de ação do TrA é horizontal para fora, enquanto a do QL é oblíqua em dois sentidos: para cima e para fora, para baixo e para fora. O músculo que tem a linha de ação comprovadamente mais efetiva para provocar a fratura do processo transverso das vértebras lombares é o TrA. E as pesquisas comprovam que ele é capaz de exercer força suficiente para provocar a fratura do processo transverso de vértebras lombares, como aconteceu no caso de Neymar.

A lesão poderia ser pior, se Neymar não tivesse musculatura de atleta. No momento do impacto do joelho do colombiano sobre a coluna do Neymar, a reação dele foi uma contração muito rápida dos músculos locais, particularmente o TrA esquerdo, o que ocasionou a fratura já citada. Mas essa contração também serviu para proteger os órgãos do abdome, particularmente o rim esquerdo, os ureteres e o baço. Esse tipo de lesão secundária acontece em 55,7% dos casos em que ocorre fratura isolada do processo transverso de vértebra lombar, como foi o caso do Neymar. Uma lesão visceral agravaria o quadro e poderia prolongar a sua recuperação. A explicação para ele não ter machucado as vísceras é que, por ser atleta de alto nível, sua musculatura tem uma resposta mais rápida e mais forte do que a população geral, o que o protegeu de uma lesão mais grave. 

A recuperação exige cuidados especiais. Em lesões isoladas de processo transverso de vértebra lombar, o tempo médio para voltar a andar é de 16 dias; após 2 meses normalmente já se tem voltado a todas as atividades sem dor e sem sequelas. Mas alguns cuidados são necessários. Durante o período em que o osso não está consolidado, não se deve movimentar a região, sob o risco de interferir e retardar o processo de cicatrização óssea. Por isso que nessa fase orienta-se o uso de cinta ou colete abdominal, de modo que a musculatura não seja solicitada para manter a estabilidade lombopélvica. Esses pacientes não devem permanecer muito tempo em repouso no leito, mas devem andar assim que não sentirem dor (ou dor mínima) ao movimento. A lesão muscular deve ser tratada precocemente, pois ela pode gerar muitas aderências, principalmente se a imobilização for prolongada. A manipulação com thrust articular é contraindicada enquanto não houver consolidação óssea comprovada, mas a mobilização dos tecidos moles associada aos recursos termoterápicos pode acelerar a recuperação e o retorno às atividades, que deve acontecer de maneira natural, sem forçar. O tempo médio de retorno ao esporte para atletas de futebol que sofrem esse tipo de lesão isolada é de 3,5 semanas. 



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